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Declamação Gaúcha Rio Grande do Sul
História

A linha do tempo da poesia declamada

Como o verso improvisado e a declamação se tornaram a voz do Rio Grande — e quem foram os nomes que sustentaram essa tradição.

Linha do tempo

Cinco séculos de verso declamado

Da forma métrica registrada na Espanha do século XVI ao reconhecimento oficial da pajada pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho — dois anos depois da morte do seu maior intérprete. Cada marco traz a fonte consultada.


  1. século XVI

    O esquema da Décima Espinela

    O poeta espanhol Vicente Espinel registra o esquema rímático da estrofe de dez versos que se tornaria a base métrica da pajada gaúcha. Variantes com outras rimas passaram a ser chamadas de Copla Real.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  2. 1839–1845

    Poesia declamada na Revolução Farroupilha

    Há registros bibliográficos de poesia declamada no período farroupilha, com nomes como Pedro Canga (Pedro Muniz Fagundes), Francisco Pinto da Fontoura, Delfina Benigna da Cunha e Francisco Xavier Ferreira.

    Fonte: Prosa Galponeira
  3. 30 de janeiro de 1924

    Nasce Jayme Caetano Braun

    Nasce em Timbaúva — hoje Bossoroca —, então distrito de São Luiz Gonzaga, na região das Missões do Rio Grande do Sul. Foi registrado poucos dias depois, em 7 de fevereiro de 1924.

    Fonte: Vinicius Ribeiro (escultor) / Cultura Gaúcha
  4. 1954

    "Galpão de Estância"

    Jayme Caetano Braun publica "Galpão de Estância".

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  5. 1957

    1º Rodeio de Poetas e a comissão de estudos

    Braun preside, assessorado por Dimas Costa, João Pio de Almeida e Vasco Leria, a comissão de estudos das correntes da poesia gauchesca do 1º Rodeio de Poetas. A comissão tratou de pajadorismo, epigrama, vultos exponenciais de cada época e a década Farroupilha.

    Fonte: Prosa Galponeira
  6. junho de 1958

    A primeira pajada — Braun e Sandálio Santos

    No 2º Rodeio de Poetas da Estância da Poesia Crioula, em Caxias do Sul, Jayme Caetano Braun protagoniza sua primeira pajada ao lado do poeta uruguaio Sandálio Santos (Nicácio Garcia Beriso). Ali aprende a estrutura da Décima Espinela. Braun tinha 34 anos e resgatava o improviso com instrumental de cordas.

    Fonte: Prosa Galponeira
  7. 1958

    "De Fogão em Galpão"

    Segunda obra publicada do poeta.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  8. 1959

    Braun preside o MTG

    Jayme Caetano Braun preside o Movimento Tradicionalista Gaúcho, entidade que só reconheceria oficialmente a pajada em 2001 — dois anos após sua morte.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  9. 1965

    "Potreiro de Guaxos" e o Rodeio de Poesias de Vacaria

    Braun publica "Potreiro de Guaxos". No mesmo ano, a lei municipal 614/1965 institui em Vacaria o concurso "Rodeio de Poesias" de poesias gauchescas inéditas.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra / Câmara de Vacaria
  10. 1966

    "Bota de Garrão", "Brasil Grande do Sul" e "Passagens Perdidas"

    Ano de três publicações: "Bota de Garrão", "Brasil Grande do Sul" e "Passagens Perdidas".

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  11. 1978

    "Pendão Farrapo"

    Publica "Pendão Farrapo", obra alusiva à Revolução Farroupilha.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  12. 1987

    "Vocabulário Pampeano"

    Lança o dicionário de regionalismos "Vocabulário Pampeano — Pátria, Fogões e Legendas", obra de valor documental para o estudo da linguagem campeira.

    Fonte: Cultura Gaúcha
  13. 1990

    "Payador e Troveiro"

    Publica "Payador e Troveiro".

    Fonte: Cultura Gaúcha
  14. 1996

    "50 Anos de Poesia"

    Publica a antologia "50 Anos de Poesia", sua última obra escrita.

    Fonte: Cultura Gaúcha
  15. 8 de julho de 1999

    Morre Jayme Caetano Braun

    Morre em Porto Alegre, aos 75 anos. Seu corpo foi velado no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini, sede do governo do estado.

    Fonte: Recanto das Letras
  16. 2001

    O MTG reconhece a pajada — e nasce o Dia do Payador

    Dois anos após a morte de Braun, o Movimento Tradicionalista Gaúcho reconhece oficialmente a pajada. No mesmo período, a lei estadual nº 11.676/01, de autoria do deputado João Luiz Vargas, institui o Dia do Payador em 30 de janeiro, data de nascimento do poeta.

    Fonte: CTG Sinuelo da Serra
  17. 2024

    Centenário de Jayme Caetano Braun

    Homenagens em todo o estado: reinauguração da estátua no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, revitalizada pelo artista plástico Vinícius Ribeiro; espetáculo "Jayme Caetano Braun — Um Século de Arte" no Theatro São Pedro; e o álbum "Tributo ao Payador", com 12 poemas inéditos de autores do verso regional.

    Fonte: Diário Gaúcho
Personalidades

As figuras do pajadorismo e da declamação

Payadores, poetas, declamadores e também as figuras de contraste — como os trovadores — que ajudam a delimitar o que é poesia declamada e o que não é.


Payador, poeta, radialista e declamador

Jayme Caetano Braun

Jayme Guilherme Caetano Braun

30/01/1924 — Timbaúva (hoje Bossoroca), então distrito de São Luiz Gonzaga, RS

O payador mais celebrado do Rio Grande do Sul e patrono do Movimento Pajadoril no Brasil. Nasceu na região das Missões, filho de imigrante alemão e mãe indígena. No final da década de 1950 foi membro fundador da Academia Nativista Estância da Poesia Crioula, em Porto Alegre, onde também atuou como funcionário público e locutor de rádio. Em junho de 1958 protagonizou, com o poeta uruguaio Sandálio Santos, sua primeira pajada, no 2º Rodeio de Poetas da EPC, em Caxias do Sul — ocasião em que aprendeu a estrutura da Décima Espinela. Presidiu o Movimento Tradicionalista Gaúcho em 1959. Morreu em Porto Alegre, em 8 de julho de 1999, e foi velado no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini. Seu nome batiza ruas, praças e CTGs em todo o Brasil.

Poeta

Vicente Espinel

século XVI — Espanha

Poeta espanhol a quem se atribui o registro do esquema rímático da décima de dez versos, que por isso leva seu nome: a Décima Espinela, base métrica da pajada gaúcha.

Poeta e payador

Sandálio Santos

Nicácio Garcia Beriso

Uruguai

Poeta uruguaio de quem Jayme Caetano Braun aprendeu a estrutura da Décima Espinela. Foi seu parceiro na primeira pajada, em junho de 1958, no 2º Rodeio de Poetas da Estância da Poesia Crioula, em Caxias do Sul.

Poeta e tradicionalista

Dimas Costa

Poeta tradicionalista gaúcho, assessor de Jayme Caetano Braun na comissão de estudos das correntes da poesia gauchesca do 1º Rodeio de Poetas. Sua obra segue entre as mais declamadas em escolas e CTGs.

Trovador e compositor

Gildo de Freitas

Trovador e compositor associado à cultura campeira, à trova e à oralidade gaúcha. Citado aqui como referência: a trova — quadra curta — é forma distinta da poesia declamada e da pajada, foco deste acervo.

Declamador

Pedro Júnior da Fontoura

Declamador contemporâneo. Interpretou os poemas do álbum "Tributo ao Payador", lançado em 2024 no centenário de Jayme Caetano Braun.